Arquivo do autor:Criadouro Aratama

Meu pássaro ficou doente, e agora?

A pior imagem para o amante das aves é acordar pela manhã para tratar do seu animal de estimação e se deparar com a imagem da ave no fundo gaiola ou “embolada” no poleiro. Quem nunca passou por isso? Confesso que até mesmo eu já passei por essa inexplicável cena.

Muitas vezes, logo no primeiro momento de contágio, as aves doentes não demonstram estar parasitadas ou contaminadas por agentes patológicos. Esses animais, na maioria das espécies, são presas e, assim sendo, se ficarem quietas no alto de uma árvore logo servirão de alimento aos predadores. É assim que funciona a seleção natural e, mesmo nascidas em ambiente doméstico, as aves carregam com elas o instinto de defesa.  Então, quando doentes tentam “DISFARÇAR” a situação para evitar predadores. É neste momento que o olhar atendo do proprietário ou do tratador pode ser fundamental.

E quais pistas podem revelar um animal doente?

  • Diminuição no volume de fezes ou urina, pois muitas vezes o fundo da gaiola é limpo e nem reparamos nisso.
  • Quantidade de sementes e/ou farinhada  ingerido no período de 24 horas.
  • Diminuição no volume de canto ou alteração na voz, alteração na postura ou movimentação dentro da gaiola.

Qualquer alteração em um destes itens requer atenção e cuidado redobrados com a ave, pois a rápida intervenção, no que se refere a um imediato início de tratamento, é fundamental para o êxito na reversão do caso.

O que fazer então?

  • Manter o animal aquecido – fontes de calor como aquecedores de gaiola ou lâmpadas incandescentes podem ajudar.
  • Evitar a contenção física tanto para dar uma “olhadinha” quanto para manter a ave quieta ou transportar. Esse processo de contenção pode gerar um stress  que acabará de queimar os níveis de glicogênio disponíveis, levando animal a óbito mais rápido.
  • Não limpar o fundo da gaiola- existem informações importantes para o médico veterinário nas fezes, urina e secreções.
  • Não administrar medicamentos em hipótese alguma- esta conduta  pode mascarar o quadro clinico, bem como matar o animal por uma falsa via.
  • Deixar disponível na gaiola alimentos de fácil digestão e ingestão. Todo proprietário sabe qual comida sua ave mais gosta.
  • O uso de suplementos vitamínicos pode ser feito sempre na água (de preferência os que tenham maior nível de frutose, dextrose ou glicose) somente até levar o animal ao veterinário, o que deve ser feito o mais rápido possível.
  • Quando no ambiente existir mais de um animal (nas criações), esse animal deve ser isolado o mais rápido possível até o diagnóstico para condutas de controle no criatório, orientadas pelo veterinário.

Como tratar as aves?

Na verdade, não existe “receita de bolo” para o tratamento, o que precisa ser feito o mais rápido é o diagnóstico e o aporte nutricional, pois muitas vezes os animais morrem por inanição, bem antes da patologia.

Por Matheus Torres Marinheiro – Médico Veterinário CRMV: 17495-SP
Clínica Doctor Dog. Rua Dr. Francisco Augusto César, 520 Ribeirão Preto-SP
Contatos: 16 3623-6031; 16 99722-1746; 16 7814-2586 ID:122*24454
Email: clinicadeaves@gmail.com

Medicamentos e vitaminas, quando usar para evitar problemas

É uma prática comum de todo indivíduo cuidar bem das coisas que ele mais gosta, com os criadores de aves não é diferente, no entanto, muitas vezes medicamentos ou vitaminas usados em doses erradas ou em época imprópria podem trazer mais problemas que solução.

O uso de antibióticos constantes como uma forma preventiva nas aves podem trazer sérios problemas aos animais; em doses baixas (subdose) podem causar resistência bacteriana, e numa próxima necessidade do mesmo antibiótico não se tem o mesmo efeito desejado, em doses altas podem trazer problemas metabólicos aos animais, pois tudo que é ingerido tem que passar por um processo de metabolização e excreção e os órgãos responsáveis por isso na maioria das vezes são o fígado e os rins, portanto doses elevadas e períodos longos de tratamento sem necessidade podem afetar o funcionamento de órgãos vitais, também trazendo prejuízo as aves.

A época de utilização de um medicamento, principalmente os antibiótico, também tem que ser levada em consideração, pois acredita-se que alguns antibióticos ou quimioterápicos podem causar problemas reprodutivos nas aves bem como a infertilidade temporária nos machos, o que chamamos de azoospermia.  Mesmo não existindo trabalhos científicos que provem essa teoria percebe-se na prática que os antibióticos da classe das sulfas (comumente usado para tratamento das coccidioses)  são  responsáveis por azoospermia, não só ele, mas todo e qualquer medicamento que tem propriedade de combater células de multiplicação rápida, e esse é o caso dos espermatozoides.

As vitaminas também estão em grande quantidade no mercado para serem comercializadas facilmente, no entanto, a administração para as aves também deve ser feita com cautela, pois aqui novamente, os efeitos deletérios das altas doses podem ser pior que a falta das vitaminas. Um exemplo prático e muito comum é o uso de vitamina E para aumentar a fertilidade dos machos e fêmeas na época reprodutiva, a vitamina E é lipossolúvel e o seu excesso é acumulado no tecido adiposo. O mesmo acontece com a vitamina A, vitamina D e vitamina K que podem  causar sérios problemas metabólicos e até óbito nas aves.

O uso de vermífugo também é uma prática comum e então temos dois pontos a esclarecer, o primeiro é que a maioria dos vermes necessitam de um hospedeiro intermediário para completar seu ciclo de vida, e na maioria das vezes o hospedeiro intermediário é um molusco ou inseto que para completar seu ciclo deve ser ingerido pela ave, animais em ambiente doméstico (gaiola) não têm acesso a esse hospedeiro intermediário, impedindo a transmissão dos vermes. O segundo ponto é que alguns princípios ativos utilizados como vermífugos também podem apresentar efeitos colaterais importantes, o febendazol pode ser tóxico para os pombos e causar anormalidades nas penas se administrado na época de muda, o Dimetridazol é tóxico para galinhas e alguns passeriformes, altamente tóxico para gansos e patos, a  ivermectina pode causar intoxicação na maioria das espécies de aves.

Para manter nossas aves sempre com saúde deve-se  estabelecer um cronograma de exames e suplementações em épocas do ano que não venham a atrapalhar a reprodução ou muda das aves. Portanto, toda e qualquer medicação em aves só deve ser feita com auxílio de um Médico Veterinário e quando realmente houver uma doença clínica estabelecida e diagnosticada.

Por Matheus Torres Marinheiro – Médico Veterinário CRMV: 17495-SP
Clínica Doctor Dog. Rua Dr. Francisco Augusto César, 520 Ribeirão Preto-SP
Contatos: 16 3623-6031; 16 99722-1746; 16 7814-2586 ID:122*24454
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Obesidade em aves

Quando pensamos em manejo nutricional , a obesidade é uma das doenças mais comuns. Mesmo assim, ainda existem muito mitos e poucas fórmulas industrializadas para cuidar desse fator nutricional que acomete todas as espécies de aves, principalmente as mantidas em ambiente doméstico.
A observação do acúmulo de gordura encontrada em diferentes regiões do organismo das aves não é simples, principalmente pela cobertura das penas; um aumento de peso ou falta de peso (caquéticos) podem passar despercebidos, retardando ainda mais o início do tratamento do problema.

Por via de regra, uma ave é considerada obesa quando atinge um peso corporal 15% acima do peso ideal da espécie, e para que isso ocorra, alguns fatores ambientais podem favorecer o aumento de peso, a falta de exercício, dietas ricas em energia, recintos inapropriados (pequenos demais ou que não permitam voo das aves), idade e doenças metabólicas.

Algumas espécies têm mais predisposição à obesidade como os periquitos australianos (Melopsittacus Undulatus), calopsitas (Nymphicus Hollandicus), canário (Sicalis sp), papagaios gênero Amazona.

A obesidade é uma doença muitas vezes responsável em causar doenças secundárias como distocias, infertilidade, lipidose hepática, aumento de pressão sanguínea, aterosclerose, pancreatite necrosante, alterações hormonais, lipomas e alterações músculo-esqueléticas.
Muitas dessas doenças secundárias à obesidade causam morte súbita às aves. Fêmeas obesas tendem a não realizar a postura correta e nem produzir óvulos viáveis por alteração hormonal, machos obesos tendem a ter alteração anatômica e estrutural da cloaca, que muda de posição pelo acúmulo de gordura, a não conseguirem realizar a cópula correta, ficando somente com a mímica da reprodução.

Com essas doenças secundárias, muitas vezes espécies raras não conseguem se reproduzir por estarem com seu peso corpóreo inadequado, embora não haja escore corporal estabelecido para as espécies de aves, o aumento de peso deve sempre ser observado para evitar os problemas secundários que muitas vezes são mais complicados que a própria obesidade.

A obesidade pode ser evitada facilmente , regulando nas aves o gasto energético com quantidade de ingestão calórica, nesse ponto, alimentos extrusados favorecem o controle energético correto para cada espécie; sem mesmo assim existir resistência individual a determinados alimentos ou não existir no mercado alimentos balanceados para a espécie é melhor, controlar exercícios a quantidade de energia ingerida.

O tratamento de um animal obeso deve respeitar algumas regras; estabelecer a perda de peso total, em seguida a perda de peso semanal que não deve ser maior que o,5 a 2 % do peso total a ser perdido; são necessárias de 8 a 30 semanas para atingir perda de peso inicial de 15%, uma perda de peso muito rápida pode aumentar o risco de ganho de peso posterior à dieta e doenças metabólicas importantes.

O uso de alguns medicamentos pode ajudar nessa perda de peso, porém só devem ser utilizados após consulta com médico veterinário.
Com todas as dificuldades de perda e manutenção de peso, o ideal é que as aves recebam uma dieta balanceada e que tenha espaço físico suficiente para exercícios e queima calórica, evitado assim morte prematura e favorecendo a reprodução e saúde das aves.

Por Matheus Torres Marinheiro – Médico Veterinário CRMV: 17495-SP
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A importância da quarentena na criação de aves

   É um costume comum entre os criadores a troca de espécimes para aumentar a variabilidade genética ou para adquirir animais portadores de alguma mutação ou característica recessiva.

No entanto, a introdução de um novo indivíduo pode alterar o equilíbrio natural do ambiente da criação. É nessa hora que os problemas com doenças oportunistas, como  virais ou bacterianas e parasitárias, se desenvolvem na criação.

Para evitar perdas de indivíduos e algumas vezes plantéis inteiros, devemos respeitar e manter uma quarentena rigorosa  por todos que pretendem manter seus animais livres de patógenos exógenos.

Devemos, então, criar uma metodologia e uma quarentena funcional, em primeiro lugar, o local deve ser determinado de forma criteriosa sendo o mais distante possível da criação. Esse lugar deve conter  uma estrutura  que impeça a  fuga dos animais, deve sempre que possível, manter um único responsável pelo tratamento dos animais, caso contrário o  plantel deve ser tratado antes da entrada na quarentena e é neste momento que um pedilúvio é de extrema importância para que o trator não sirva de fonte  para doenças.

Todos os materiais, bem como alimentação, devem  ser mantidos  somente dentro da área da quarentena, bebedouros comedouros, sementes ,rações, produtos de limpeza como vassoura, rodo e buchas também são importantes veículos de transmissão de patógenos.

Em relação aos animais, é importante sempre estabelecer exames compatíveis com a espécie na entrada e saída da quarentena,  a observação diária dos animais também é de extrema importância , para que, de forma precoce  possa identificar possíveis patógenos e, rapidamente, eliminar a causa. Aproveitar o período de quarentena para realizar uma adaptação à alimentação comum na criação, também é importante, assim uma ave introduzida em um grupo já consegue se alimentar de forma competitiva com o mesmo.

Quando feito o diagnóstico de alguma doença,  ela deve ser sempre tratada , por um médico veterinário  e todas as informações anotadas em um livro de registro. Uma ave com doença crônica ou portadora não pode ficar no plantel, desse modo , optar pelo sacrifício ou descarte do animal deve  sempre ser considerado.

O período normal de quarentena nas aves é de 90 dias e esse deve ser sempre respeitado. O uso de polivitamínicos durante a quarente pode ser feito, mas o uso de antibiótico antivirais ou antifúngicos só devem ser feitos de forma curativa e nunca preventiva.

De maneira geral e resumida, deve-se  respeitar  o tempo da quarentena  e  realizar exames,  condutas que com certeza, levarão saúde ao plantel, aumentando  a produção  e evitando perdas econômicas consideráveis.

Por  Matheus Torres Marinheiro – Médico Veterinário  CRMV:  17495-SP
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