Medicamentos e vitaminas, quando usar para evitar problemas

É uma prática comum de todo indivíduo cuidar bem das coisas que ele mais gosta, com os criadores de aves não é diferente, no entanto, muitas vezes medicamentos ou vitaminas usados em doses erradas ou em época imprópria podem trazer mais problemas que solução.

O uso de antibióticos constantes como uma forma preventiva nas aves podem trazer sérios problemas aos animais; em doses baixas (subdose) podem causar resistência bacteriana, e numa próxima necessidade do mesmo antibiótico não se tem o mesmo efeito desejado, em doses altas podem trazer problemas metabólicos aos animais, pois tudo que é ingerido tem que passar por um processo de metabolização e excreção e os órgãos responsáveis por isso na maioria das vezes são o fígado e os rins, portanto doses elevadas e períodos longos de tratamento sem necessidade podem afetar o funcionamento de órgãos vitais, também trazendo prejuízo as aves.

A época de utilização de um medicamento, principalmente os antibiótico, também tem que ser levada em consideração, pois acredita-se que alguns antibióticos ou quimioterápicos podem causar problemas reprodutivos nas aves bem como a infertilidade temporária nos machos, o que chamamos de azoospermia.  Mesmo não existindo trabalhos científicos que provem essa teoria percebe-se na prática que os antibióticos da classe das sulfas (comumente usado para tratamento das coccidioses)  são  responsáveis por azoospermia, não só ele, mas todo e qualquer medicamento que tem propriedade de combater células de multiplicação rápida, e esse é o caso dos espermatozoides.

As vitaminas também estão em grande quantidade no mercado para serem comercializadas facilmente, no entanto, a administração para as aves também deve ser feita com cautela, pois aqui novamente, os efeitos deletérios das altas doses podem ser pior que a falta das vitaminas. Um exemplo prático e muito comum é o uso de vitamina E para aumentar a fertilidade dos machos e fêmeas na época reprodutiva, a vitamina E é lipossolúvel e o seu excesso é acumulado no tecido adiposo. O mesmo acontece com a vitamina A, vitamina D e vitamina K que podem  causar sérios problemas metabólicos e até óbito nas aves.

O uso de vermífugo também é uma prática comum e então temos dois pontos a esclarecer, o primeiro é que a maioria dos vermes necessitam de um hospedeiro intermediário para completar seu ciclo de vida, e na maioria das vezes o hospedeiro intermediário é um molusco ou inseto que para completar seu ciclo deve ser ingerido pela ave, animais em ambiente doméstico (gaiola) não têm acesso a esse hospedeiro intermediário, impedindo a transmissão dos vermes. O segundo ponto é que alguns princípios ativos utilizados como vermífugos também podem apresentar efeitos colaterais importantes, o febendazol pode ser tóxico para os pombos e causar anormalidades nas penas se administrado na época de muda, o Dimetridazol é tóxico para galinhas e alguns passeriformes, altamente tóxico para gansos e patos, a  ivermectina pode causar intoxicação na maioria das espécies de aves.

Para manter nossas aves sempre com saúde deve-se  estabelecer um cronograma de exames e suplementações em épocas do ano que não venham a atrapalhar a reprodução ou muda das aves. Portanto, toda e qualquer medicação em aves só deve ser feita com auxílio de um Médico Veterinário e quando realmente houver uma doença clínica estabelecida e diagnosticada.

Por Matheus Torres Marinheiro – Médico Veterinário CRMV: 17495-SP
Clínica Doctor Dog. Rua Dr. Francisco Augusto César, 520 Ribeirão Preto-SP
Contatos: 16 3623-6031; 16 99722-1746; 16 7814-2586 ID:122*24454
Email: clinicadeaves@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *